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O CLADEM-BRASIL - Comitê Latino-Americano e do
Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres- Brasil manifesta-se sobre a
possibilidade de revisão do PNDH-3
O Programa Nacional de Direitos Humanos em sua terceira versão (PNDH-3) conforme
expresso em sua Apresentação “incorpora as resoluções da 11ª Conferência
Nacional de Direitos Humanos e propostas, aprovadas nas mais de 50 conferências
nacionais temáticas, promovidas desde 2003 – segurança alimentar, educação,
saúde, habitação, igualdade racial, direitos da mulher, juventude, crianças e
adolescentes, pessoas com deficiência, idosos, meio ambiente etc –, refletindo
um amplo debate democrático sobre as políticas públicas dessa área”. (p. 11).
Assim, ele é fruto de uma ampla discussão nacional iniciada há mais de 07 anos.
No que se refere à Garantia dos direitos das mulheres para o estabelecimento das
condições necessárias para sua plena cidadania o PNDH-3 propõe simplesmente que
o governo apoie a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto,
considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.
Ao apoiar a aprovação de projeto de lei que discriminaliza o aborto o governo
atua em conformidade com as recomendações da ONU, do Comitê para a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê CEDAW) e da Organização
Mundial de Saúde.
Rever esse item por pressão e para “agradar” a cúpula da Igreja da Igreja
Católica significa desrepeitar o amplo processo democrático que norteou a sua
elaboração e rasgar a Constituição por expressa violação do princípio da
laicidade que estrutura nossa democracia. Se o governo não pode “apoiar” um
projeto de Lei que descriminaliza o aborto em nome do direito fundamental à
autonomia reprodutiva das mulheres abre mão de sua responsabilidade como estado
e joga com a vida e a saúde reprodutiva das mulheres.
O argumento de que a automomia reprodutiva é uma reivindicação das mulheres e
não uma proposta do governo, é no mínimo, estranho, pois praticamente todas as
propostas do PNDH-3 são propostas de movimentos sociais. Por isso,
descriminalizar o aborto e garantir a autonomia reprodutiva das mulheres é um
compromisso internacional do Estado Brasileiro e não uma proposta abusiva do
movimento de mulheres.
Não há cidadania plena sem autonomia reprodutiva. Direitos humanos das mulheres
são parte dos direitos humanos desde a Conferência de Direitos Humanos de Viena
em 1993. Em Viena foi definitivamente legitimada a noção de indivisibilidade dos
direitos humanos. Os direitos humanos das mulheres não são negociáveis, devem
ser protegidos e cumpridos.
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