| INFORMES ABONG Nº 111 - Outubro de 2000 - PROGRAMA FEDERAL NÃO EVITA VOLTA DE CRIANÇAS
AO TRABALHO
As crianças assistidas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil -
Peti, estão voltando ao trabalho sem nem mesmo terem concluído o ensino
fundamental, denunciou a Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura - Contag.
Cerca de 40 entidades que participaram, em Salvador, do Fórum de Erradicação
do Trabalho Infantil constataram que só na Bahia cinco mil crianças que
completaram quinze anos estão voltando às lavouras de sisal.
Em Pernambuco cerca de 21 mil meninos e meninas voltarão ao trabalho até o
final deste ano e no Mato Grosso do Sul e Paraná as crianças também estão
retornando às carvoarias.
Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente - Conanda, Cláudio Augusto Vieira da Silva, da ONG Fé e Alegria, o
principal problema do Peti é que "tem uma faixa de cobertura muito pequena
(7 a 14 anos), não tem outro programa de absorção destas crianças e assim
que completam 15 anos e param de receber o auxílio do Peti a questão da
subsistência volta e eles têm que deixar a escola e voltar ao trabalho."
"Ocorre que, como, no campo, as crianças começam a estudar aos 9, 10 anos
de idade, elas saem do programa sem concluir o ensino fundamental", afirmou
Maria da Graça Amorim, secretária de Política Social da Contag.
O Peti
Este é um programa da Secretaria de Estado da Assistência Social, do Ministério
da Previdência e Assistência Social, e foi implantado em 1996, depois de várias
ações de combate ao trabalho infantil promovidas por setores organizados da
sociedade civil. A previsão é que este ano o programa atenda 362 mil crianças
por meio de um auxílio que varia de 25 a 40 reais, de acordo com a localidade,
para cada família da criança, de 7 a 14 anos, que pare de trabalhar e freqüente
regularmente a escola.
Soluções
De acordo com Cláudio Augusto "o programa é uma iniciativa boa, mas é
necessário um aumento no investimento pois o valor de 25 a 40 reais é muito
pequeno. É preciso que haja uma extensão para que os meninos e meninas que
completam quinze anos possam ingressar em outro programa."
A Contag também propõe que as crianças permaneçam no programa até os 17
anos ou, pelo menos, até concluir o ensino fundamental.
O assunto estará na pauta da próxima reunião do Conanda, nos dias 19 e 20 de
outubro, onde serão verificadas as possíveis ações e como a sociedade civil
poderá intervir para que o problema seja resolvido.
Conanda: Fone (61) 225-2327/429-3524; Fax. (61) 224-8735.
Contag: Fone (61) 321-2288 ramais 221 ou 233;
Fax. (61) 321-3229.
MULHERES ENTREGAM 4,6 MILHÕES DE ASSINATURAS
AO FMI E BM
A Marcha Mundial das Mulheres foi encerrada no último dia 17, em Nova Iorque.
As atividades previstas para a data incluíam a entrega das 4 milhões, 616 mil
e 352 assinaturas coletadas em todo o mundo em protesto contra as políticas do
Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional - FMI, responsáveis pela
situação de miséria em que vivem milhões de pessoas em todo o mundo. O
Brasil apresentou a quarta maior contribuição para o abaixo-assinado, com 150
mil assinaturas.
No mesmo dia, a delegação oficial dos 157 países que integram a Marcha foi
recebida pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e depois participariam de um
ato show no Central Park.
No dia 15, mulheres vestidas com as cores dos diversos continentes invadiram as
ruas de Washington, cantando, dançando e contagiando as pessoas que passavam
com palavras de ordem como "abusar de uma mulher é abusar da terra",
e cantos dizendo que "a questão da igualdade não é somente uma questão
de direitos das mulheres mas que é uma questão de direitos humanos." Logo
em seguida a delegação oficial da Marcha foi recebida pelo presidente do Banco
Mundial, James Wolfensohn, e por um dos diretores do FMI, Horst Köhler. Na
ocasião foram apresentados os manifestos de protestos de todos os continentes;
o protesto do Canadá afirmava "o discurso politicamente correto do Banco
Mundial e a prática mais que politicamente incorreta."
Brasil
A delegação oficial do Brasil nos Estados Unidos foi composta por: Miriam
Nobre, da Sempreviva Organização Feminista - SOF, Edinalva Bezerra, do
Conselho de Mulheres Trabalhadoras da Central Única dos Trabalhadores - CUT,
Liege Rocha, da União Brasileira de Mulheres e Raimunda de Macena, da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - Contag, em nome das trabalhadoras
rurais. Além da delegação oficial, várias entidades brasileiras enviaram
representantes para fazerem parte das manifestações e protestos nos Estados
Unidos.
Em São Paulo mais de 3 mil mulheres estavam na Praça Ramos, numa passeata de
três alas: 1) pobreza; 2) violência contra mulher; 3) irreverência, que
passou na Bolsa de Valores e se encerrou na Praça da Sé. Várias mulheres de
diversas entidades populares de municípios vizinhos de São Paulo vieram até a
Capital para se unirem às atividades da Marcha.
Já em Brasília houve uma manifestação em frente ao local onde se realizava o
Seminário organizado pelo Banco Mundial contra a pobreza. Em todos os estados
brasileiros ocorreram manifestações, protestos, caminhadas etc.
Acompanhe os resultados da Marcha entrando em contato com a Secretaria da
Marcha: Fone (11) 3819-3876; E-mail marcha2000@sof.org.br;
Site www.sof.org.br/marcha2000.
REGIONAL SUL TEM PROJETO DE DESENVOLVIMENTO ALTERNATIVO
No último dia 16 de outubro o Fórum Regional Sul da ABONG, que abrange Santa
Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, se reuniu em Passo Fundo - RS. Na avaliação
de Irma Kniess (CDHMGB/SC), diretora Regional, a reunião foi bastante
"animadora", principalmente pela discussão do projeto de
desenvolvimento alternativo para a Região, que vem sendo estruturado pelas ONGs
e várias outras organizações da sociedade civil. Irma também considera que a
vitória de candidatos do campo democrático-popular em vários municípios está
provocando um novo ânimo para o trabalho da sociedade civil em 2001.
A participação na Assembléia da ABONG também foi pauta da reunião, e a
Regional começou a organizar sua participação no Fórum Social Mundial, onde
as ONGs farão exposição de seu trabalho. O grupo elegeu um comitê que ficou
incumbido de participar, do próximo dia 24 de outubro, na reunião do Comitê
Gaúcho do Fórum Social Mundial.
Também foi acordado um acompanhamento sobre a tramitação e discussões
referentes à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI, das
ONGs em Brasília. As questões estruturais da Regional serão abordadas em uma
próxima reunião a ser agendada.
O Projeto
O projeto de desenvolvimento alternativo da região Sul, que será apresentado
no Seminário da ABONG, entre os dias 21, 22 e 23 de novembro próximo, foi
bastante discutido. Basicamente o projeto prevê o mapeamento das experiências
alternativas das cerca de 60 entidades que compõem o grupo denominado Coordenação
dos Fóruns do Sul, dentro de três eixos principais: 1) geração de emprego e
renda; 2) educação e saúde; 3) participação nos conselhos paritários de
gestão.
Estas informações serão sistematizadas e os dados subsidiarão a formulação
de diretrizes e princípios para políticas públicas regionais futuras. A
Coordenação de Fóruns do Sul se reunirá no próximo dia 31 de outubro.
Maiores informações com Nádia pelo telefone (47) 455-2886 ou fax. (47)
455-3447.
NOTAS
Feira de ONGs
Os Fóruns Regionais Amazônia, Nordeste 1, 2 e 3, Centro-Oeste e São Paulo, da
ABONG, já confirmaram sua participação na II Feira de ONGs, que acontecerá
no Museu da República, no Rio de Janeiro, entre os dias 22 e 26 de novembro.
Além dos Regionais, 39 ONGs do Rio de Janeiro também já confirmaram presença
no evento, que prevê a exposição do trabalho das entidades em estandes, lançamentos
de materiais produzidos pelas mesmas e debates sobre temas sociais.
Paralelamente à II Feira de ONGs acontece, também no Rio de Janeiro, a Assembléia
da ABONG, dia 24, e o Seminário "Um novo mundo é possível: as ONGs e a
luta por um desenvolvimento sem exclusão", de 21 a 23.
Informações sobre a participação na Feira com Edna, telefone
(21) 262-3406; E-mail: cddhbr@ax.apc.org
Meio Ambiente
Com o intuito de estimular a discussão sobre temas relacionados a meio
ambiente, desenvolvimento e pesquisas científicas e a interação do ser humano
com o ambiente, o Cento de Pesquisa e Assessoria - Esplar e o Laboratório de
Engenharia de Produtos Naturais - Ufpa, estão promovendo, de 10 a 13 de
dezembro, o Congresso Brasileiro de Meio Ambiente, cujo tema será: "Homem,
Mulher e Meio Ambiente: os Desafios no Terceiro Milênio". O Congresso será
em Fortaleza-CE e terá apresentação de experiências/projetos de entidades
que estejam relacionado a temática do evento. Secretaria do Congresso: Fone:
(91) 226-3386; E-mail: congresso@free.canal13.com.br;
Site: www.ufpa.br/eventos/meio_ambiente.
Projetos Sociais
O Social Science Reserch Council - SSRC (Conselho de Pesquisa e Ciência
Social), por meio de seu Program on Global Security & Cooperation - GSC
(Programa de Segurança Global e Cooperação), em Nova Iorque, está com inscrições
abertas para apresentação de projetos sociais dentro dos temas: 1)
Solidariedade no Conflito, Paz e Transformação Social; 2) Programas para
Pesquisa de Colaboração em Zonas de Conflito. Para maiores informações
contatar: SSRC na 810 Seventh Avenue, New York, NY 10019, Fone (212) 377-2700,
Fax. (212) 377-2727, E-mail: gsc@ssrc.org;
Site: www.ssrc.org.
CPI da Amazônia
A Audiência Pública que deveria promover a discussão entre representantes da
sociedade civil e membros da CPI da Amazônia, prevista para esta semana, foi
adiada para o próximo dia 7 de novembro, às 14h, no Plenário 15 - Anexo II da
Câmara dos Deputados. Na pauta, as atividades das ONGs, nacionais e
internacionais, na região Amazônica.
Criança no lixo nunca mais
O Fórum Nacional Lixo e Cidadania e a Associação Brasileira de Engenharia
Sanitária e Ambiental, por meio da campanha Criança no Lixo Nunca Mais está
promovendo o Concurso Interamericano de Desenho. Voltado para estudantes 6 a 14
anos, que poderão inscrever seus desenhos, sobre o tema Lixo Urbano, até 3 de
novembro. Informações e regulamento: www.unicef.org.br.
Ainda sobre a campanha Criança no Lixo Nunca Mais, 300 representantes
comerciais do Laboratório Sanofi-Synthelabo estarão sensibilizando 40 mil médicos
pediatras para a campanha, quando das suas visitas a estes profissionais. O
Laboratório doará ainda 1% de seu faturamento anual ao Fundo das Nações
Unidas para a Infância - Unicef, para ser utilizado na campanha.
Políticas públicas
Foi lançada em Brasília, no dia 18 último, a publicação "Políticas Públicas
Sociais - a execução orçamentária da União de 1999". A obra é do
Instituto de Estudos Socioambientais - Inesc em parceria com a Fundação Abrinq
pelos Direitos da Criança e mostra o acompanhamento das seguintes políticas públicas:
agrária, agrícola, ambiental, criança e adolescente e rede de proteção
social. A publicação está disponível em arquivo eletrônico para cópia.
Informações com Jair Barbosa no telefone (61) 226-8093.
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