| INFORMES ABONG Nº 107 - Setembro de 2000 -
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SDDH COMPLETA 23 ANOS DE DEFESA DOS
DIREITOS HUMANOS
Fundada em 1977 a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH,
completou no último dia 8 de agosto 23 anos de luta em defesa dos direitos
humanos, pelas liberdades democráticas e justiça global.
Em comemoração ao seu aniversário a SDDH estará no final de outubro lançando
as publicações: Manual sobre os Mecanismos Internacionais de Proteção aos
Direitos Humanos; e o Relatório de Homicídios Ocorridos no Estado do Pará em
1999.
O Manual faz parte de um projeto que começou com voluntários em agosto de 1988
e se concretizou com pessoal efetivo em 1999, e auxilia na formação, tanto dos
funcionários da SDDH quanto de outras ONGs da região, sobre a importância dos
mecanismos de proteção aos Direitos Humanos no âmbito dos organismos
internacionais. Marcelo Freitas, presidente da SDDH lembra que "desde
dezembro de 1999 o Brasil aceitou a Corte da Organização dos Estados
Americanos - OEA, e a partir de então as denúncias de atentados contra os
direitos humanos terão um efeito muito maior".
O Relatório de Homicídios trará indicadores que servirão de referência para
o trabalho do SDDH de elaboração de políticas públicas e estará disponível
para subsidiar pesquisas de outras entidades. Este relatório caracterizará os
homicídios quanto ao número de ocorrências (595 vítimas), a idade e sexo da
vítima, motivo e o período que mais ocorrem os homicídios, a relação da vítima
com o acusado, quantos homicídios foram cometidos por agentes de segurança pública,
entre outros dados.
A história
A SDDH surgiu dentro do contexto da ditadura militar e tinha o objetivo de ser
uma resposta à brutal violência do Estado e do latifúndio no Pará.
Funcionava com um núcleo jurídico voluntário que priorizava a resistência à
impunidade. Publicou de 1978 a 1992 o jornal "Resistência" como forma
de denunciar esta violência.
Em 1968 a SDDH passou a atuar de forma mais sistemática, através da
profissionalização de advogados, e com mais ênfase nas áreas agro-ecológica
e violência urbana.
Hoje a entidade, além das denúncias, está atuando em ações propositivas,
através do Núcleo Jurídico em Marabá e em mais 5 departamentos na sede em
Belém: Política Pública de Segurança; Programa de Proteção a Vítimas e
Testemunhas Ameaçadas; Banco de Dados; Departamento de Proteção e Defesa
Internacional dos Direitos Humanos; e Departamento Jurídico.
Marcelo Freitas afirma que um dos destaques do trabalho atual da SDDH é o esforço
no que concerne as denúncias de tortura, pois "não aparece muito, mais a
tortura ocorre em grande escala nos organismos institucionais, como
delegacias".
"A SDDH tem se avaliado constantemente e os novos trabalhos vêm de
encontro à nova realidade, sempre dentro do contexto da proteção dos direitos
humanos", avalia Marcelo.
SDDH: Telefones (91) 241-9931 / 241-5491; Correio eletrônico sddh@nautilus.com.br
ATIVIDADES PELOS 10 ANOS DO ECA CONTINUAM
EM TODO PAÍS
No último dia 13 de julho o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA
completou 10 anos de sua promulgação. Naquela semana houve uma intensa
programação comemorativa e avaliativa do Estatuto, que foi objeto de pauta na
imprensa e de comemoração de toda a sociedade civil. As entidades
comprometidas com a defesa da criança e do adolescente no entanto, vêm
realizando atividades no país inteiro, relacionadas ao ECA, durante o ano todo.
Marcha
No Distrito Federal, no próximo dia 18 de outubro, crianças e adolescentes de
escolas públicas e privadas irão realizar a Marcha pelos 10 Anos do ECA. Sairão
às 9h da Catedral de Brasília e caminharão até o Congresso Nacional, onde têm
uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do
senado Antonio Carlos Magalhães.
A Marcha, que é uma diretriz da cartilha Cidadania, Presente! ECA 10 anos,
realizada pela Pastoral do Menor, Associação de Apoio à Criança e ao
Adolescente - Amencar, e Salesianos do Brasil, objetiva mostrar que os
protagonistas da luta em favor dos direitos da infância e juventude são as próprias
crianças e adolescentes.
Os organizadores esperam cerca de 10 mil participantes entre crianças,
adolescentes e instituições, e pretendem que a Marcha seja uma grande festa
com apresentações de grupos de teatro, música, capoeira e dança.
Informações no Centro Salesiano do Adolescente Trabalhador: Telefone (61)
585-3386 / 321-7699.
Avaliação
O Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes -
Cecria e a Amencar, estão finalizando, em parceria, a tabulação de uma
pesquisa de avaliação dos 10 anos do ECA, em outubro estarão fazendo o lançamento
nacional dos resultados. O Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da
Bahia também está realizando este trabalho no estado da Bahia. Amencar:
Telefone (51) 588-2222; Correio Eletrônico info@amencar.org.br.
Conanda
Começou dia 19 e vai até 22 de setembro, em São Paulo, a 73ª Assembléia
Ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente -
Conanda. O principal ponto da pauta desta Assembléia é o sistema Febem e o
rebaixamento da idade penal. Conanda: Telefones (61) 225-2327 / 429-3524; Fax.
(61) 224-8735.
Curso
A Universidade Popular da Baixada abriu uma nova turma para o Curso Básico
Sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, que será realizado a partir do
dia 16 de outubro, no Rio de Janeiro. O curso abordará o histórico das políticas
de atendimento à infância e à adolescência no Brasil. Maiores informações
na Universidade Popular da Baixada: Telefone (21) 771-8619.
OBSERVATÓRIO DA CIDADANIA COMEMORA QUATRO ANOS
O Observatório da Cidadania acaba de lançar a sua quarta edição. Para marcar
o fato foi realizado, nos últimos dias 11 e 12, um seminário nacional que
reuniu cerca de 40 entidades. O objetivo do evento era apresentar o que foi
feito durante os quatro anos de vida do Observatório, com o intuito de pensar
novas estratégias de ação para os próximos anos. O seminário, que aconteceu
Rio de Janeiro, foi organizado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas - Ibase, em parceria com a Federação de Órgãos para Assistência
Social e Educacional - Fase, o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea -
Cedec, o SOS Corpo e o Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc.
O Observatório da Cidadania é a versão brasileira do Social Watch, iniciativa
criada em 1995, durante a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento, em Compehagen.
O objetivo é garantir que o mesmo esforço de participação visto nas conferências,
se repita na implementação dos acordos, tanto no plano nacional, como no
internacional. Esta quarta edição tem a diferença de estar sendo realizada no
momento em que a ONU avalia o estado de implementação dos processos de Beijing
+5 e Copenhagen +5.
O Seminário
As mesas do seminário contaram com integrantes de ONGs e redes parceiras do
Observatório, que relataram e analisaram o processo de monitoramento nesses
quatro anos. No primeiro dia, Sonia Corrêa, do Ibase, e Patrícia Garcé, do
Social Watch Internacional, analisaram os processos de revisão de Beijing +5 e
Copenhagen +5. Já Guacira César, da Articulação de Mulheres Brasileiras e
Jorge Eduardo Durão, da Fase, descreveram os mesmos processos sob uma
perspectiva nacional. Ambas as mesas discutiram as dificuldades e conquistas
enfrentadas pelo Observatório da Cidadania/ Social Watch.
O tema do segundo dia foi "Estratégias e perspectivas: diálogo com redes
nacionais". O objetivo era pensar em como promover uma articulação maior
entre o Observatório e redes brasileiras como a Rede Brasil, a Rede Brasileira
pela Integração dos Povos - Rebrip e Rede saúde, entre outras, para
possibilitar, futuramente, uma ação política conjunta e, portanto, mais
efetiva.
Globalização
O grande mérito do seminário foi proporcionar um debate muito rico sobre
globalização, tema que impõe uma série de desafios. José Maria Gomez, do
Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, inaugurou a discussão, ao
final da manhã do primeiro dia, falando da multilateralidade da globalização.
"A globalização não se resume ao plano econômico, existem também as
dimensões política e cultural", disse o professor. Na tarde do primeiro
dia, Ricardo Henriques, da UFF e do Ipea, continuou o debate apontando a
globalização e a desregulação financeira como as grandes causas da crise
nomeada por ele como "o mal estar contemporâneo". Segundo Ricardo, a
globalização, da maneira como se realiza, é incontornável do ponto de vista
econômico.
Maiores informações podem ser encontradas na Página eletrônica do Ibase www.ibase.br
ou solicitadas através do correio eletrônico observatorio@ibase.br.
NOTAS
Prefeito Criança
No último dia 14 de setembro diversas organizações da sociedade civil
fizeram, na Av. Paulista em São Paulo, uma panfletagem em prol da campanha:
Eleições 2000 Prefeito Criança. As entidades presentes pediam aos eleitores
que votem apenas em candidatos com propostas para as crianças e os adolescentes
dos municípios.
Ainda sobre o Projeto Prefeito Criança, a Fundação Abrinq, lançou o
"Caderno Prefeito Criança", que resgata os debates e as experiências
municipais apresentadas nos seis Encontros Estaduais Prefeito Criança,
realizados entre 1998 e 1999.
Além da publicação impressa, já está no ar a versão eletrônica, disponível
na página eletrônica da Rede Prefeito Criança:
www.fundabrinq.org.Br/redeprefeitocrianca.
Abrinq: (11) 881-0699; Endereço Eletrônico: info@fundabrinq.org.br
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Jovens
Com autoria de Anna Luiza Salles Souto e Elmir de Almeida, o Instituto de
Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais - Pólis publicou o
livro: "Jovens: Políticas Publicas - Mercado de Trabalho". Esta
publicação aborda a mudança no perfil do mercado de trabalho a partir da
segunda metade da década de 80 no Grande ABC, e da inserção dos jovens nesse
novo mercado.
Pólis: Telefone (11) 853-6877; Endereço Eletrônico: polis@polis.org.br;
Página Eletrônica: www.polis.org.br
Oficinas
O Centro Nordestino de Animação Popular - CENAP, está com inscrições
abertas para duas oficinas: 1) Avaliação de Processos Educativos que será
dias 6 e 7 de outubro e 10 e 11 de novembro em Olinda - PE; 2) Oficina de Danças
Circulares de 14 a 15 de outubro em Camaragibe - PE. Informações com Ana Paula
no Cenap: telefone (81) 426-0001; Correio Eletrônico cenap@elogica.com.br.
Decisão Inédita
No último dia 14 de setembro, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal de Brasília
condenou, por unanimidade, a União e a Funai a pagar uma indenização de 4 mil
salários mínimos corrigidos (cerca de R$ 1 milhão) ao povo indígena Panará.
A decisão, única na história do judiciário brasileiro, levou em conta os
danos morais e materiais causados pelo contato forçado ao qual este povo foi
submetido a partir de 1973. A ação indenizatória foi movida e acompanhada
pelos advogados do Instituto Socioambiental - ISA.
Informações no ISA: Telefone (11) 852-5544; Endereço Eletrônico: socioamb@ax.apc.org
De olho nas eleições
A ABONG, o Instituto Geledés, o Fórum Nacional de Reforma Urbana, a Fundação
Abrinq, o Fórum Nacional de Participação Popular e outras organizações
estarão no próximo dia 26 de setembro, na Praça Ramos de Azevedo no centro de
São Paulo, realizando uma conversa de rua e um debate com a população sobre
as eleições municipais. Em seguida farão uma caminhada até a Câmara
Municipal onde terá um ato de repúdio à corrupção na cidade de São Paulo.
Esse ato é parte da programação da Campanha Cidadã "De Olho nas Eleições".
Maiores informações com Maria Helena no telefone (11) 853-6877/6089-6345.
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