| INFORMES ABONG Nº 89 - Maio de 2000 -
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BRASIL SEDIARÁ I FÓRUM SOCIAL MUNDIAL EM 2001
Construir alternativas para priorizar o desenvolvimento humano e a superação
da dominação dos mercados em cada país e nas relações internacionais. Este
é o objetivo do I Fórum Social Mundial - FSM, que organizações da sociedade
civil, sindicatos , e governos comprometidos com o combate à pobreza de todo o
mundo realizarão entre os dias 25 e 30 de janeiro de 2001, em Porto Alegre, RS.
O evento acontece simultaneamente ao Fórum Econômico Mundial, realizado desde
1971 em Davos, na Suíça, com a presença de representantes das maiores
economias mundiais, espaço que tem se caracterizado pela formulação do
pensamento econômico que promove e defende as políticas neoliberais no mundo.
Este Fórum é organizado por uma fundação suíça que funciona como
consultora da ONU e é financiada por mais de 1 mil empresas multinacionais.
O FSM também deverá realizar-se anualmente, sempre no mesmo período,
constituindo-se num espaço de formulação de alternativas, troca de experiências
e construção de articulações orgânicas, táticas e estratégicas, entre os
atores envolvidos.
Intervenção social
A criação do FSM foi inspirada, por um lado, nas mobilizações promovidas
pela sociedade civil organizada internacional contra o Acordo Multilateral de
Investimentos - AMI, em 1998; durante o encontro da Organização Mundial do Comércio
- OMC, em 1999; e nas recentes mobilizações contra as políticas do Fundo
Monetário Internacional - FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington.
Estas ações demonstraram às grandes instituições internacionais a
necessidade de prestação de contas à opinião pública sobre suas atitudes.
De outro lado, o FSM também se inspira nos esforços que vêm ocorrendo em todo
o mundo no sentido de buscar alternativas que coloquem o desenvolvimento humano
e a democracia participativa como fatores prioritários de governos e cidadãos.
Neste momento, o Comitê Brasil de Organização do FSM está buscando adesões
de organizações da sociedade civil e de governos democráticos para a realização
do evento. Integram o Comitê: ABONG; Ação pela Tributação das Transações
Financeiras em Apoio aos Cidadãos - ATTAC-BR; Comissão Brasileira de Justiça
e Paz - CBJP; Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania - Cives;
Central Única dos Trabalhadores - CUT; Instituto Brasileiro de Análises
Sociais e Econômicas - Ibase; Justiça Global e Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra - MST.
Também está em formação o Comitê Internacional do FSM, que deverá
reunir-se pela primeira vez no dia 24 de junho, em Genebra, durante a realização
do Social Summit das Nações Unidas (Copenhagen+5).
Para mais informações e adesões ao FSM, entrar em contato com: fsm2001@uol.com.br
ONGs DENUNCIAM VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS À ONU
Representantes de ONGs, movimentos e pastorais sociais que atuam na área de
direitos humanos, em São Paulo, reuniram-se no último dia 17 com a alta comissária
de Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda. O encontro
foi organizado pela Comissão Teotônio Vilela, em parceria com o Núcleo de
Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
As ONGs denunciaram várias situações de violação dos direitos no País e o
não cumprimento, por parte do governo, de acordos internacionais nesta área. A
exposição da situação no Brasil abrangeu os temas: violência institucional;
direitos da criança e adolescente; criminalidade afro-brasileira; direitos da
mulher; direito à terra e ao trabalho e educação para direitos humanos.
O momento mais emocionante do encontro foi a apresentação, por representantes
do Ministério Público, de imagens de tortura e violência contra os internos
da Febem feitas, de um helicóptero, durante as rebeliões. O padre Júlio
Lancelotti, diretor da Casa Vida, e Maria Conceição Andrade Paganelii,
presidente da Associação das Mães dos Internos da Febem relataram situações
de violência e apelaram para a representante da ONU, para que a situação da
instituição seja resolvida.
"Vocês são os olhos e os ouvidos para que eu veja e ouça a situação
dos direitos humanos no Brasil. Caso as ONGs apresentem relatório alternativo
sobre o tema, o Comitê da ONU vai aceitar", disse Mary Robinson. Apesar de
toda a emoção que marcou o encontro, a representante da ONU afirmou que as
pessoas ali presentes traziam "nos olhos e rostos, o mapa da esperança no
Brasil".
Fala Preta, Geledés e outras organizações negras entregaram a Mary Robinson
documentos relatando situações de discriminação e violência sofridas pela
comunidade negra no País. Além dessas duas ONGs, participaram do evento o
Instituo Pólis e o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo
Limpo, também associadas à ABONG.
Democracia e direitos humanos
A repressão às manifestações sociais de maneira geral, e as perseguições
sofridas pelo MST em particular, foram apontadas como violação dos direitos
humanos e duramente criticadas por várias personalidades. "A situação
descrita aqui, demonstra que ainda não atingimos a democratização do País
pela qual lutamos na década de 1970", afirmou o cardeal dom Paulo Arns,
que foi homenageado no evento com o Prêmio Severo Gomes de Direitos Humanos,
organizado pela Comissão Teotônio Vilela.
GOVERNO FEDERAL RECUA NO COMBATE À ERRADICAÇÃO
DO TRABALHO INFANTIL
A política do Governo Federal para prevenir e erradicar o trabalho infantil foi
critica por meio de uma carta divulgada pelas organizações da sociedade civil
que estiveram reunidas nos dias 3, 4 e 5 de maio por ocasião do Seminário
Nacional do Fórum de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.
O documento classifica de "equivocada reorientação do Governo" as
medidas previstas no novo Manual Operacional do Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil - PETI, lançado recentemente. Entre outros aspectos, são
criticados a redução do tempo de permanência das crianças e adolescentes
atendidos para dois anos; ausência de ações que possibilitem a melhora da
condição de vida das famílias envolvidas; o abandono do caráter preventivo
do Programa; e a redução real no valor da bolsa, que se mantém o mesmo desde
1996.
De acordo com o documento, "O Governo Federal está tentando convencer a
sociedade brasileira e a comunidade internacional que erradicará as piores
formas de trabalho infantil até 2003, quando estará ´assistindo´ um
contingente de crianças e adolescentes pelo período de dois anos, no máximo
quatro, retiradas provisoriamente do mercado de trabalho, sem garantir sua inserção
no conjunto das políticas públicas na área da criança e do
adolescente".
Contradições
A carta indica ainda contradições na política governamental, como o limite da
idade para atendimento pelo PETI em 14 anos, ao mesmo tempo em que exige que as
famílias impeçam o trabalho dos filhos de até 16 anos; a falta de recursos
previstos no PPA 2000-2003 e na LDO 2000/2001 para atendimento da faixa etária
de 14 a 18 anos; e a desarticulação entre os programas do próprio governo,
como o Renda Mínima (MEC) e o PETI (SEAS)
As entidades que assinam o documento reivindicam a abertura das discussões
sobre o tema no âmbito do Conanda, em conjunto com o Fórum Nacional de Prevenção
e Erradicação Trabalho Infantil e os Fóruns Estaduais, assim como a suspensão
das novas diretrizes do programa federal.
NOTAS
Cai projeto Micheletto
As organizações da sociedade civil registraram mais uma vitória de sua
mobilização: o projeto que propunha alterações no Código Florestal, de
autoria do deputado Moacir Micheletto (PMDB/PR) foi derrubado no último dia 17
pelo Colégio de Líderes do Congresso Nacional. O projeto, que reduzia
drasticamente as áreas de reserva ambiental, havia sido aprovado na Comissão
Mista do Congresso no dia 10 e tinha votação no plenário do Senado marcada
para o próximo dia 24.
A decisão foi tomada em virtude da polêmica gerada pelo conteúdo do projeto.
Apenas no final de semana, o Congresso Nacional recebeu mais de 20 mil mensagens
protestando contra a aprovação do PL.
O Colégio de Líderes também decidiu que, no próximo dia 27, a MP nº
1956-49, que trata do assunto, deverá ser reeditada, e uma nova comissão
mista, ampliada dos atuais 14 para 28 membros, instalada para apreciar a matéria.
O deputado Micheletto permanece como relator, e deverá apresentar nova
proposta. A proposta que permitiu o cancelamento do projeto partiu da bancada do
PT.
Mobilização
Embora a decisão represente uma derrota da bancada ruralista, as ONGs que
acompanham a formulação do Código Florestal insistem para que a mobilização
continue em favor da aprovação da proposta elaborada pelo Conselho Nacional de
Meio Ambiente - Conama.
Em reunião realizada no dia 18, ONGs, movimentos sociais e estudantes,
avaliaram que o "jogo foi empatado", e que as negociações retornam
"ao zero". Assim, as manifestações marcadas para ocorrer em todo o
País ao longo da semana estão mantidas, agora em apoio ao projeto do Conselho.
A única manifestação cancelada foi uma caminhada, prevista para o dia 23, que
deveria sair do Ministério do Meio Ambiente em direção ao Congresso Nacional.
Orçamento participativo
O Fórum Paulista de Participação Popular e a Prefeitura Municipal de Rio
Claro realizarão nos próximos dias 27 e 28, em Rio Claro, o I Congresso
Paulista de Orçamento Participativo. Na pauta, a participação popular como
nova concepção de gestão pública e de cidadania ativa; orçamento
participativo e políticas públicas; o papel do orçamento participativo nos
governos municipais; e experiências do orçamento participativo em diversos
municípios do Estado.
O evento, que tem o apoio do Cepam, Associação Paulista de Municípios, Unesp
e Instituto Pólis, reunirá representantes de governos municipais,
parlamentares, técnicos e representantes da sociedade civil envolvidos nos
conselhos de orçamento participativo. Informações e inscrições: Fone/fax:
(19) 534-1051/526-7250
Direitos Humanos
Acontece nos próximos dias 24, 25 e 26 de maio, em Brasília, a V Conferência
Nacional de Direitos Humanos, "Brasil 500 anos: descubra os direitos
humanos".
O evento abordará temas como políticas públicas de combate à violência;
tortura; preconceito, discriminação e exclusão; mídia e direitos humanos, além
de debates sobre a atualização dos Programas Nacional, Estaduais e Municipais
de Direitos Humanos.
A Conferência é promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados, Fórum DCA; Cfemea, MST. Ibase, Ágora e Inesc, entre outras organizações.
Informações e inscrições: cdh@camara.gov.br
Censura
Veja no site da ABONG (www.abong.org.br),
nota de Eduardo Homem, diretor regional da Associação (Regional NE-I),
comentando a censura imposta pelo ministério das Comunicações à entrevista
com João Pedro Stédile, dirigente do MST, realizada pela TV Cultura de São
Paulo, e a ingerência do governo sobre as redes educativas.
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