| INFORMES ABONG Nº 87 - Maio de 2000 - CONFERÊNCIA NÃO ESTABELECE INVESTIMENTOS PARA EDUCAÇÃO
Os representantes dos países presentes à Conferência Mundial de Educação
vetaram a proposta das ONGs que previa a destinação de 6% do PIB para a área.
O documento final do encontro não introduz nenhum compromisso em relação a
valores que os Estados deveriam aplicar na Educação. O evento aconteceu entre
os dias 25 e 28 de abril, em Dakar, no Senegal, com a presença de
representantes de governos de todo o mundo.
De acordo com Sérgio Haddad, presidente da ABONG e único representante das
ONGs brasileiras a participar do encontro oficial, a convite da Unesco, a
Declaração resultante da Conferência Mundial de Educação também não
trouxe novos conceitos sobre a educação para todos ou sobre as necessidades básicas
da área.
Para Sérgio, comparada à Declaração resultante da Conferência de Jomtien,
Tailândia, realizada em 1990, o atual documento é "mais burocrático",
restringindo-se aos direitos básicos vinculados à escolarização formal, e
com poucos compromissos de indicadores assumidos pelos Estados para implementação
até 2015.
Restrição às ONGs
A Conferência atual também foi marcada pela restrição à participação das
organizações da sociedade civil. Em Jomtien foram convidadas a participar
aproximadamente 130 ONGs e, em Dakar, apenas cerca de 60 tiveram acesso ao
encontro oficial.
A restrição à participação das ONGs foi um dos temas discutidos no Fórum
Paralelo de ONGs, realizado nos dias 24 e 25, também em Dakar, com a presença
de aproximadamente 250 ONGs de todo o mundo. Além de um abaixo-assinado
protestando contra sua exclusão da Conferência oficial, as entidades
discutiram o documento preliminar oficial, fazendo críticas e propostas a ele.
De acordo com Sérgio, este trabalho também foi prejudicado pela imposição da
organização do evento oficial que impedia a alteração da estrutura. Assim, o
tema qualidade de ensino, por exemplo, teve de ser tratado isoladamente, e não
acoplado à discussão dos vários níveis de educação.
Responsabilidade
Na discussão sobre o financiamento das políticas educacionais, o Banco Mundial
creditou a responsabilidade aos governos nacionais, uma vez que 70% dos recursos
para a área vem do Estado, 27% da comunidade e apenas 3% dos organismos
internacionais.
O cancelamento da dívida externa dos países pobres também foi um tema
bastante discutido nos dois encontros, dividindo as opiniões, entre os que são
favoráveis à medida de maneira irrestrita e os que querem condiciona-la à
aplicação desses recursos à educação, mediante o monitoramento de
organismos internacionais. De maneira geral, os representantes governamentais
posicionaram-se contrários ao monitoramento internacional.
O governo brasileiro foi representado na Conferência por Maria Helena Guimarães,
presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - Inep, Éfrem
de Aguiar Maranhão, membro do Conselho Nacional de Educação e por um
representante do Ministério das Relações Exteriores. Durante o encontro, o
grupo recebeu dos coordenadores da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
um baixo-assinado com três mil nomes. O documento reivindica que o governo
reconheça a educação como um direito, atendendo crianças, jovens e adultos,
democratizando o processo de elaboração das políticas educacionais e alocando
mais recursos para o setor.
ONGs RELATAM SUA EXPERIÊNCIA EM CAPTAÇÃO DE RECURSOS
A Oxfam e o Gapa-BA realizaram no último dia 26, em Recife, a mesa-redonda
"Captando recursos no Brasil: a experiência de três ONGs". A
atividade é parte de um programa que a Oxfam vem desenvolvendo há dois anos,
com o apoio da organização baiana, para a capacitação de ONGs brasileiras na
elaboração de planos estratégicos de captação de recursos.
O objetivo do programa, que atualmente atende sete ONGs, é assessorar as
entidades na busca da ampliação de sua base de sustentação junto à
sociedade civil local, através de diversas estratégias de captação de
recursos.
Neste sentido, a atividade da última semana apresentou as experiências
desenvolvidas por Ibase (RJ, Gajop (PE) e Greenpeace. O Ibase apresentou sua
parceria com a administradora do cartão American Express, através da qual os
clientes do cartão podem abrir mão de pontos acumulados em prol da instituição.
Só no ano passado, a campanha rendeu R$ 180 mil.
O Gajop, ONG responsável pelo programa de proteção às testemunhas, salientou
que as atividades de captações são recentes mas já chegaram a render R$ 50
mil. A instituição vem contatando empresas, comercializando camisetas e
canetas, além de organizar festas e exposições culturais.
O Greenpeace, que não aceita doações ou parcerias com órgãos governamentais
ou empresas, contou sua experiência de arrecadação através de um serviço de
telemarketing, que busca a contribuição mensal contínua de pessoas físicas.
A ONG destacou que seus escritórios em todo o mundo devem se manter com o apoio
da sociedade civil. Como exemplo, foi citado o caso da Holanda, onde 2% da
população colabora com a entidade.
Visibilidade e sustentabilidade
De acordo com a Oxfam, as estratégias de captação de recursos estão
diretamente relacionadas à visibilidade das ONGs. Para a instituição britânica,
as ONGs brasileiras devem mostrar seu trabalho ao público local, buscando
parcerias junto a ele.
A Oxfam também relatou sua própria experiência, que inclui uma parceria com a
empresa Yahoo, responsável por um sistema de buscas na Internet. Além de
usufruir de um espaço para divulgar sua marca na página da empresa, a ONG é
beneficiada financeiramente cada vez que um usuário acessa o serviço.
IPEA DIVULGA PESQUISA SOBRE AÇÃO SOCIAL DAS EMPRESAS
DO SUDESTE
O IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou recentemente o
resultado da pesquisa Ação Social das Empresas, realizada na Região Sudeste
do País. A amostra inicial pesquisou 1.752 entre micro, médias e grandes
empresas, sendo depois expandida para 445 mil, assim distribuídas: 60% de São
Paulo, 18% de Minas Gerais, 18% do Rio de Janeiro e 4% do Espírito Santo.
A pesquisa revelou que 300 mil empresas - cerca de 2/3 do universo - , realizam
algum tipo de ação social para a comunidade. O atendimento simultâneo à
comunidade e aos empregados é praticado por 45% das empresas, 22% delas atendem
apenas à comunidade, 17% apenas aos empregados e 16% não realizam nenhum tipo
de ação social.
As atividades de assistência social são realizadas por 57% das empresas
pesquisadas, seguidas pelas de alimentação e abastecimento (39%), segurança
(17%), esporte (16%), educação e alfabetização (14%), saúde (13%), cultura
(12%), desenvolvimento comunitário e mobilização social (9%), meio ambiente
(9%), defesa de direitos (6%), lazer e recreação (4%) e qualificação
profissional (1%).
Público-alvo
As crianças são o público-alvo das ações de 63% das empresas
pesquisadas; a família de 49%; os portadores de deficiência de 31%; os jovens
de 28%; os idosos de 24%; os adultos de 22%; e as mulheres são atendidas por 7%
dessas empresas.
Quarenta e oito por cento das pesquisadas afirmaram atuar por meio de doações
a organizações que executam projetos sociais; 44% através de doações
diretas à população carente; 32% por meio de execução direta de ações
sociais; 10% através de repasse de recursos para Fundos dos Direitos da Criança
e do Adolescente; 5% através de repasses para outros fundos; 4% por meio de
parcerias com organizações comunitárias; 1% através de entidade criada pela
própria empresa para este fim; e 1% por meio de associações, federações ou
confederações.
A pesquisa revelou que apenas 8% das instituições utilizaram isenções
fiscais para praticar as ações, contra 74% que afirmaram não ter utilizado
este expediente e 18% que não responderam a esta indagação.
As empresas de Minas Gerais são as que mais realizam ações sociais, 81%,
contra 66% em São Paulo, 59% do Rio de Janeiro e 45% do Espírito Santo.
Para mais informações sobre a pesquisa, entrar em contato com o Ipea: E-mail: asocial@ipea.gov.br
; site: www.ipea.gov.br/asocial
NOTAS
Globalização
O Banco Mundial lançou, no Dia do Trabalhador, conferência eletrônica para
discutir as características da globalização e seus impactos sobre a pobreza e
desenvolvimento. A Confêrencia interativa via a internet, que durará um mês,
está sendo coordenada com uma ONG inglesa chamada Panos Institute e visa
fundamentar e ampliar a discussão sobre os efeitos da globalização. A
participação é aberta a todos (governos, sociedade civil, imprensa,
universidades, funcionários do Banco Mundial e outras agências de cooperação).
Interessados em participar devem enviar um e-mail para join-globalization@lists.worldbank.org
ou acessar http://vx.worldbank.org/cgi-bin/lyris.pl?enter=globalization&text_mode=0
Interesse público
O Comunicação e Cultura (CE) iniciou recentemente o projeto Comunicação de
Interesse Público, que tem por objetivo a impressão, a preço ode custo, de
informativos editados pelos Centros Regionais de Desenvolvimento do Ensino e
secretarias municipais de educação e saúde. O objetivo do projeto é
facilitar a comunicação entre os profissionais dessas áreas e a comunidade.
Comunicação e Cultura - Telefax: (85) 231-6092; E-mail: comcultura@fortalnet.com.br
Informação
O Instituto Terramar (CE) lançou recentemente o Boletim de notícias Marulho.
Interessados em receber a publicação devem entrar em contato através dos
telefones (85) 226-2476 ou (85) 226-4154 ou pelo e-mail: terramar@fortalnet.com.br
Políticas públicas
Será realizado nos dias 27 e 28 de abril, em Fortaleza (CE), o I Encontro de
Políticas Públicas e Crescimento Econômico. O evento é promovido pela
Universidade Federal do Ceará e Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.
Mais informações: www.ufc.br e www.fgv.br
, pelos telefones (85) 281-3272/3722 e (21) 536-9100 ou pelo e-mail: ufc@npd.ufc.br
Criança e adolescente
O Fórum DCA e o Inesc, com o apoio do projeto 10 anos de ECA, Frente
Parlamentar pelos Direitos da Criança e Unicef, realizarão, nos próximos dias
17, 18 e 19, a Oficina para Avaliação de Projetos de Lei e Propostas de Emenda
Constitucional no Congresso Nacional. O objetivo do encontro é avaliar os
projetos que tramitam no Congresso sobre temas referentes à infância e adolescência.
Os interessados em participar devem entrar em contato com a secretaria-executiva
do Fórum DCA (61) 349-5202
Atendimento à mulher
O Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis - RJ, está promovendo,
toda quinta-feira, às 19h, reuniões do grupo de mulheres na sede da entidade.
As mulheres, todas vítimas de algum tipo de violência doméstica, têm
avaliado positivamente os encontros, com espaço aberto para conversas, trocas
de experiências, conhecimento mútuo de histórias de vida, conscientização
sobre direitos e abertura de novos horizontes. O grupo é aberto à participação.
Basta entrar em contato com o CDDH. www.geocities.com/cddhpet.geo
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