| INFORMES ABONG Nº 149 - 16 a 22 de agosto de 2001 -
ABONG PARTICIPA DO PRIMEIRO ENCONTRO INTERNACIONAL DE MOVIMENTOS SOCIAIS
Identificar os atores da mundialização liberal, avaliar as ações e experiências
de luta e resistência contra a globalização da injustiça realizadas nos últimos
dois anos e propor uma agenda comum até o próximo Fórum Social Mundial, em
Porto Alegre (RS), foram os principais objetivos do I Encontro Internacional de
Movimentos Sociais, realizado na Cidade do México, entre os dias 12 e 14 de
agosto. Mais de 250 representantes de movimentos de 38 países e quatro
continentes participaram da reunião, entre eles, Sérgio Haddad, presidente da
Abong.
Organizado por iniciativa do Attac-França, CUT, Focus on the Global South e Via
Campesina, o encontro procurou também discutir como o movimento de resistência
pode avançar com um grau maior de convergência, coordenação e eficácia em
sua ação global.
Nas intervenções, destacou-se que a ofensiva neoliberal continua a avançar,
apesar de enfrentar dificuldades como a crise do modelo de desenvolvimento dos
países de periferia e de privatizações, instabilidade financeira e redução
do crescimento e recessão. Frente às mobilizações crescentes dos movimentos
sociais, algumas das estratégias adotadas pela mundialização liberal são: o
aumento da repressão local e internacional (como em Gotenburgo e Gênova), a
folclorização do movimento anti-globalização liberal e a incorporação do
discurso e do vocabulário dos movimentos de contestação.
O documento de convocatória do encontro destaca a necessidade dos movimentos em
todo o mundo organizarem uma mobilização conjunta em torno de vários
encontros que estarão ocorrendo até o início de 2002. Outra ação prevista
é a organização de plebiscitos populares em todos os países do continente
americano em 2002 sobre a implantação ou não do Acordo de Livre Comércio das
Américas (Alca).
Organizar ações internacionais que respondam a uma agenda própria, permitindo
avançar em formas mais permanentes e eficazes de coordenação do movimento
global, foi um dos objetivos da reunião. Os participantes apontaram o Fórum
Social Mundial (FSM) como esse espaço de intercâmbio e de coordenação. Entre
as propostas de ações apresentadas estão a luta contra a OMC, a organização
de boicotes contra as multinacionais, a sistematização dos discursos contraditórios
dos líderes globais e o estabelecimento de consultas sobre reivindicações e
demandas locais.
Uma segunda edição do Encontro Internacional de Movimentos Sociais, com o
objetivo de avançar no processo de convergência, deve acontecer no final de
janeiro de 2002, por ocasião do FSM, em Porto Alegre (RS).
A íntegra da convocatória do encontro pode ser acessada no site da Abong: www.abong.org.br
EDITORIAL DO ESTADÃO CRITICA MANUAL DE FUNDOS PÚBLICOS
Em editorial publicado no dia 9 de agosto, intitulado "A parcela
`oficial´ das ONGs", o jornal O Estado de S. Paulo critica a publicação
do Manual de Fundos Públicos, editado pela Abong, defendendo a tese de que a
existência de recursos públicos que podem ser acessados por organizações da
sociedade civil para o desenvolvimento de projetos sociais é um acinte e fere a
idéia de autonomia das organizações não-governamentais. Para isso, se
utiliza de trechos de entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil e
publicada no dia 7 de agosto, sem checar as informações diretamente com a
Abong.
Em resposta ao editorial, o secretário-geral da Abong, Jorge Eduardo Saavedra
Durão (Fase Nacional), explica que o argumento utilizado pelo jornal, segundo o
qual o acesso a recursos públicos coloca as ONGs na condição de
"oficiais", decorre de dois equívocos muito freqüentes. O primeiro
é "a visão neoliberal instrumental do papel das ONGs, às quais propõe
que sejam atribuídas tarefas públicas não executadas pelo Estado, que foge
assim às suas responsabilidades e ao papel insubstituível que lhe cabe na
promoção de políticas públicas de caráter universal". O segundo equívoco
"consiste basicamente na confusão entre público e estatal, com a redução
do público ao estatal". De acordo com Jorge, "esta concepção é
incapaz de incorporar a idéia de uma esfera pública ampliada, e por isso não
é capaz de compreender a natureza complexa da discussão sobre os fundos públicos,
e a legitimidade e necessidade de acesso de organizações da sociedade civil a
esses fundos, assim como do controle social dos mesmos".
Na resposta, Jorge destaca que, num país como o Brasil, "nada mais justo
do que políticas distributivas orientadas para favorecer segmentos excluídos e
marginalizados da população. As políticas direcionadas para esses setores são
sociais e públicas." Assim, "as ONGs e outras entidades sem fins
lucrativos, cuja finalidade é e deve ser pública, devem ter acesso a fundos públicos
como ocorre em todos os países em que o capitalismo se tornou mais civilizado,
através dos controles impostos ao mercado e do estado de bem estar
social".
Desde sua fundação em 1991, a Abong participa do debate sobre os fundos públicos,
exigindo o acesso aos mesmos por parte das organizações da sociedade civil,
"desde que assegurada, de maneira geral, as condições de publicidade e
transparência para o acesso aos mesmos". O Manual, nesse sentido, é parte
desse esforço de divulgar, para a sociedade civil e o público em geral, quais
são os recursos disponíveis para o trabalho com o campo do desenvolvimento
social e humano no Brasil e quais as formas de acesso a eles, de forma a
democratizar este acesso.
Leia a íntegra do artigo de Jorge Durão, "As ONGs e a visão arcaica da
relação entre o público e o estatal", no site da Abong: www.abong.org.br
e o editorial do jornal no link: http://www.estado.com.br/editorias/01/08/09/editoriais003.html.
SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA É TEMA DE SÉRIE DE PROGRAMAS DESENVOLVIDOS
COM CONSULTORIA DA ECOS
"Sexualidade, prazer em conhecer" é o nome da série de 20
programas televisivos, lançada no último dia 15 e que começará a ser
transmitida no próximo dia 20 pelo Canal Futura. A iniciativa, pioneira na
televisão, procura abordar a questão a partir das dúvidas dos próprios
jovens, estimulando o debate aberto para a discussão de suas dúvidas,
preconceitos e as formas de se protegerem das doenças sexualmente transmissíveis
e da Aids. O objetivo é formar novos conceitos sobre sexualidade, lutar contra
tabus e promover atitudes preventivas e protegidas além de estimular uma maior
equidade nas relações entre homens e mulheres.
Desenvolvido pela Schering do Brasil em parceria com a Fundação Roberto
Marinho, o projeto foi concebido pela Ecos - Centro de Estudos e Comunicação
em Sexualidade e Reprodução Humana, organização associada à Abong que atua
em São Paulo há 12 anos. Além dos vídeos, a série é composta por um livro
para o professor com textos e sugestões práticas para o trabalho com
Sexualidade e Saúde Reprodutiva em escolas.
Sylvia Cavasin e Silvani Arruda, educadoras da Ecos, destacam que é muito
importante que os temas da Sexualidade e Saúde Reprodutiva sejam tratados de
forma séria e competente pela mídia. "Por mais que os trabalhos com Educação
Sexual já venham sendo realizados por muitas escolas, nunca houve uma repercussão
de tal amplitude como poderá ter este projeto".
Durante o lançamento do projeto, em São Paulo, foi realizado um debate
informal entre estudantes convidados e especialistas em Educação Sexual, entre
eles, Antonio Carlos Egypto, do GTPOS, Marcos Ribeiro, da ONG carioca Cores;
Suely Andrade, da equipe técnica do Coordenação Nacional de Prevenção à
DST/Aids, e Jairo Bouer, apresentador do programa Erótica (MTV). Um dos erros
mais comuns na abordagem feita pelas escolas, segundo os debatedores, é tratar
a questão da sexualidade apenas pelo lado da informação e da prevenção às
DSTs/Aids ou gravidez. É preciso abordar também a discussão sobre gênero, os
preconceitos, as emoções, a diversidade e os direitos que existem em relação
à sexualidade e a saúde reprodutiva.
O papel das ONGs
Além da concepção do projeto, a Ecos elaborou os textos básicos para o Livro
do Professor e sugeriu metodologias de trabalho. Os textos passaram por uma edição
realizada por uma equipe de jornalistas da Fundação Roberto Marinho. Numa
segunda fase, a Ecos prestou consultoria na produção e edição dos 20 vídeos
que compõe a série.
Nelson Santonieri, coordenador do projeto na Fundação Roberto Marinho, destaca
que o mais importante nesse trabalho foi o conteúdo desenvolvido pela Ecos:
"a forma como o material é apresentado, se é vídeo ou uma publicação,
não importa, e sim o conteúdo e o tratamento metodológico correto da questão".
Santonieri ressaltou que a série vem demonstrar o valor das organizações da
sociedade civil que, com seus próprios recursos, durante anos, desenvolveram um
saber específico valioso e que agora pode ser divulgado.
No projeto, foram desenvolvidos 1.000 kits - fitas de vídeo e livro do
professor - que serão distribuídos gratuitamente a escolas da rede estadual de
ensino de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás. Os professores de ensino
médio passarão por uma capacitação para trabalhar o material em sala de
aula, a ser realizada pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Ecos.
ECOS - Tel./fax: (11) 3171-3315 email: ecos@uol.com.br
web site: www.ecos.org.br
NOTAS
CPI das ONGs
A primeira reunião administrativa da CPI das ONGs após o recesso de julho,
marcada para o dia 14 de agosto, não se realizou. Ela foi remarcada novamente
para o dia 21, às 17h30, na sala 02 - Ala Senador Nilo Coelho, Anexo II do
Senado Federal.
Novo presidente do CNAS
Antônio Brito, superintendente da Fundação José Silveira, assumiu no dia
14/8, a presidência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), órgão
superior de deliberação colegiada vinculado ao Ministério da Previdência e
Assistência Social. Entre outras atribuições, o CNAS, é responsável pela
aprovação da política nacional de Assistência Social e a concessão de
registro e certificados para entidades de fins filantrópicos.
Fase e Ippur
Representantes da Fase e do Ippur, organizações integrantes do Observatório
de Políticas Urbanas e Gestão Municipal do Rio de Janeiro, entregaram no início
de agosto ao Ministério Público, dossiê sistematizando informações sobre o
Programa Nova Baixada. O documento irá contribuir com inquérito civil de apuração
de irregularidades em obras mal feitas que causaram enchentes e destruição de
casas. O programa foi implantado em 1996 e, até 2001, foram gastos quase R$ 180
milhões. Entre as ações propostas pelo dossiê estão: a correção e término
das obras mal feitas; a ampliação da participação popular e de acesso a
informações, visando o controle social sobre os investimentos do Programa; a
punição dos responsáveis pelo desperdício de recursos públicos e o
afastamento das empreiteiras que executaram as obras. O dossiê pode ser
acessado na íntegra no site da Fase.
Fase - Tel. (21) 2286-1441 www.fase.org.br
Catálogo das ONGs-AIDS
A Coordenação Nacional de DST-Aids está atualizando o Catálogo de Organizações
da Sociedade Civil que trabalham no enfrentamento da epidemia de aids no Brasil.
O questionário pode ser preenchido até o dia 30/8 no site http://www.aids.gov.br/c-geral/formulario1.asp
Informações - tel. (61) 448-8026
Cebrij e Peripécias on-line
Já está no ar a página do Cebrij, ONG que atua na pesquisa e na formação
cultural de crianças, adolescentes e jovens. Além de informações sobre a
organização, a página traz também artigos da revista Peripécias, que tem
por objetivo desenvolver um intercâmbio internacional sobre práticas
inovadoras no âmbito da implantação dos Direitos das novas gerações.
Cebrij - (16) 630-7883 www.cebrij.org.br
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