| INFORMES ABONG Nº 140 - 14 a 20 de junho de 2001 -
FSM REALIZA PRIMEIRA REUNIÃO DO CONSELHO INTERNACIONAL
Mais de 60 representantes de organizações não-governamentais, redes e
movimentos sociais da África, Ásia, Europa e Américas se reuniram nos dias 10
e 11, em São Paulo, para a constituição do Conselho Internacional do Fórum
Social Mundial (FSM). O conselho tem como principais objetivos ajudar a
consolidar o processo de mundialização do FSM, apoiar o FSM2002 de Porto
Alegre e assegurar sua continuidade para além de 2002. Entre os participantes
da reunião estavam o belga François Houtart, do Fórum Mundial de Alternativas
(Centro Tricontinental); a queniana Njoki Njoroge Njehu, do 50 Years Is Enough
Network; Juan Moreno, da Confederação Européia de Sindicatos; o argentino
Francisco dos Reis, da Associação Latino-americana de Pequenos e Médios
Empresários (Alampyme), Bernard Cassen, do Attac-França, e o belga Eric
Toussaint, do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo.
As oito entidades do Comitê Organizador brasileiro, entre elas a Abong, e as
organizações internacionais presentes foram unânimes na avaliação de que o
primeiro FSM atingiu seu objetivo de ser um espaço concreto de luta
anti-neoliberal, não apenas de protesto, mas também de crítica, avaliação e
construção de propostas. Também foi um consenso que o FSM não é apenas um
acontecimento, mas parte de um processo que se constrói. Os desafios principais
apontados foram a incorporação de temas ausentes ou que tiveram pouco destaque
no primeiro FSM e a ampliação da participação de outros continentes, como África
e Ásia.
Temáticas e participações essenciais - A relação entre os limites físicos-ambientais
e o atual estágio do capitalismo; a discussão do patriarcado; a nova cultura
política; os valores e direitos humanos internacionais; o papel do Estado; o
papel da tecnologia na globalização econômica; a discussão dos paradigmas de
um novo mundo possível (e necessário); a visão dos povos indígenas sobre o
desenvolvimento; as migrações. Esses foram alguns temas que, segundo o CI, não
podem ser deixados de lado nas discussões do FSM.
Para Blanca Chancoso, da Conaie (Equador), os efeitos da globalização são
sentidos pelos povos indígenas desde o início dos saques coloniais e "se
traduzem principalmente na tomada de nossas terras". Blanca destacou que é
preciso reconhecer os indígenas a partir de sua identidade, não como objeto de
estudo ou de um ponto de vista folclórico, mas como atores que podem formular
propostas políticas.
Lílian Celiberti, da Articulación Feminista Marco Sur, ressaltou que não se
pode deixar de fora o debate sobre a violência, presente na sujeição de um gênero
a outro. Para Lorraine Guay, da Marcha Mundial das Mulheres 2000 (Canadá), o
patriarcado deve ser considerado como um sistema de descrição do mundo, ao
lado do neoliberalismo e do capitalismo, e não como um item secundário.
Mundialização - Ásia e África não foram as únicas regiões pouco
representadas no FSM2001. O conselho internacional lembrou também que houve
baixa participação dos países da ex-União Soviética, Europa do Leste, América
Central, Caribe, Oriente Médio, além dos EUA. Uma das alternativas propostas
pelo comitê brasileiro para integrar as regiões mais distantes é o de
organizar fóruns regionais simultâneos ao de Porto Alegre. Discutiram-se os
limites e as possibilidades desta proposta. Ficou clara a necessidade de
articular os movimentos das diversas regiões através de encontros locais.
Nicola Bullard, do Focus on the Global South (Tailândia), destacou que a
realização de eventos locais simultâneos ao FSM seria interessante como forma
de chamar a atenção da mídia e das populações locais para as temáticas
debatidas.
Outro fator determinante na mundialização do FSM é o tempo. Segundo Taoufik
Bem Abdallah, do Enda (Senegal), é preciso tempo para articular o movimento
global. Ele lembrou que enquanto a América Latina e a Europa começaram a
preparação com antecedência, o mesmo não aconteceu na Ásia e na África.
Como um esforço a mais em direção à mundialização, ficou decidido que a próxima
reunião do CI deverá acontecer em Dacar (Senegal), no final de outubro.
FSM - (11) 258-8914 E-mail: forum2002@uol.com.br
II PREPCOM À CMR: POUCOS AVANÇOS
Realizada em Genebra entre os dias 21 de maio e 1 de junho, a segunda conferência
preparatória (Prepcom) à Conferência Mundial contra o Racismo (CMR) obteve
poucos avanços na discussão da Declaração e do Plano de Ação, documentos
que serão levados a Durban, na África do Sul. Com isso, uma nova Prepcom
acontecerá em Genebra entre os dias 30 de julho e 10 de agosto.
Segundo relatório de Edna Roland (Fala Preta!-SP), os quatro blocos regionais
(Ocidental, Ásia, África e Grupo Latino-Americano e Caribenho) têm posições
e interesses específicos.
Guacira de Oliveira (Cfemea) identifica como principais focos de polarizações
a questão do reconhecimento do tráfico de escravos como crime de lesa
humanidade e a respectiva adoção de medidas de reparação; as migrações
internacionais; o reconhecimento dos povos indígenas em sua autodeterminação
e direito a suas terras; o enfrentamento dos conflitos étnicos e religiosos em
diferentes pontos do planeta; o reconhecimento da segregação e opressão
promovidas pelas estruturas de castas como forma de apartheid, e o
reconhecimento das relações entre o passado colonial e o racismo. Artigo de Átila
Roque (Ibase-RJ) analisando o encontro de Genebra, assim como o relato de
Guacira de Oliveira, já estão disponíveis no site do Ibase (www.ibase.org.br).
Fala Preta! - (11) 3277-4727 E-mail: falapret@uol.com.br
Ibase - (21) 509-0660 E-mail: ibase@ibase.br
ISA MAPEIA INICIATIVAS PRÓ-MATA ATLÂNTICA
Reunir e cadastrar as experiências realizadas nos últimos dez anos por
organizações atuantes no bioma da Mata Atlântica é o objetivo do Projeto
"Mata Atlântica: Avaliação dos Esforços de Conservação, Recuperação
e Uso Sustentável dos Recursos Naturais", desenvolvido pelo Instituto
Socioambiental, e coordenado em conjunto com a Rede de ONGs da Mata Atlântica;
o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CNRBMA) e o WWF
Brasil. O projeto conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do
PDA, do PPG7, do GTZ, NAPMA, SBF e PNF.
A partir da reunião das experiências desenvolvidas por órgãos públicos,
ONGs, empresas públicas e privadas, universidades, escolas, instituições de
pesquisa pública e privada, movimentos sociais, sindicatos, entre outros, o ISA
irá promover uma análise global dos projetos, considerando aspectos como: a
quantidade de organizações envolvidas; o volume de recursos financeiros
aplicados; a área total recuperada e/ou manejada e principais espécies da
fauna e flora beneficiadas, quais as principais dificuldades que estas instituições
vêm enfrentando para obter sucesso em suas iniciativas.
O resultado final será disponibilizado através de um catálogo, contendo o
cadastro de todas as entidades que colaboraram com a consulta e suas respectivas
experiências, mapas indicando regiões com concentração ou carência de ações
conservacionistas e uma avaliação global dessas atividades. O ISA aponta a
falta de conhecimento sobre essas atividades como um item que dificulta o intercâmbio
de experiências entre as organizações. O levantamento permitirá não apenas
identificar áreas e temas com carência de investimentos, como também planejar
melhor as ações e identificar prioridades. Ao final da etapa de coleta de
dados, será organizado um seminário nacional para uma avaliação dos
resultados.
Para a concretização do projeto, um ponto fundamental é a participação das
organizações que desenvolvem ações no bioma da Mata Atlântica. Elas devem
cadastrar os projetos que começaram a ser desenvolvidos entre 1990 e 2000 por
meio de ficha disponível no site www.projetosmataatlantica.org.br.
O formulário também pode ser solicitado pelo e-mail: projetosmataatlantica@socioambiental.org
ou ao próprio instituto (av. Higienópolis, 901/ CEP: 01238-001 - São Paulo -
SP).
ISA - www.socioambiental.org.br
Tel.: (11) 3825-5544 / Fax: (11) 3825-7861
NOTAS
CPI das ONGs
A reunião administrativa da CPI das ONGs, em caráter reservado, foi remarcada
para a segunda-feira, dia 18, após a Ordem do Dia, na sala 02 da Ala Senador
Nilo Coelho (Anexo II do Senado Federal).
Veja no site da Abong (www.abong.org.br),
a íntegra de discursos de senadores sobre a atuação das ONGs na Amazônia.
Fundo estadual para projetos sociais
O Fórum Paulista de ONGs convida todas as organizações interessadas em
participar de discussão sobre o projeto de lei que propõe a criação de um
fundo estadual de financiamento de projetos sociais, a ser encaminhado à
Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo em julho. O encontro acontece no
dia 19, às 14 horas, na sede da Abong (rua General Jardim, 660 - 7o andar -
Vila Buarque - São Paulo - SP).
Estatuto da Cidade
A votação final do Estatuto da Cidade, no plenário do Senado, foi antecipada
para o dia 18, às 14h30. A coordenação do Fórum Reforma Urbana convida a
todos para acompanharem a votação em Brasília.
Massacre do Carandiru
No próximo dia 20, a partir das 7 horas, ONGs e familiares dos 111 presos
mortos no Carandiru em 1992 realizam manifestação em frente ao Fórum Mário
Guimarães, no metrô Barra Funda, para acompanhar o início do julgamento pela
Justiça Comum do Coronel Ubiratan Guimarães, comandante da operação no
Carandiru.
Grito da Terra 2001
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) informa que
novas manifestações acontecerão no dia 25 de julho. Segundo a Contag, os
trabalhadores rurais não ficaram satisfeitos com o andamento das negociações
do Grito da Terra Brasil 2001.
Contag - tel. (61) 321-2288 r. 221 ou 233
CMR
As inscrições para o Fórum de ONGs que irá acontecer em Durban, (África do
Sul), durante a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial,
a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância, foram estendidas até o dia
30 de junho. Também foi prorrogado para o dia 15 de julho o prazo final para
inscrição na CMR.
Eldorado dos Carajás
No próximo dia 18, acontece a primeira sessão do julgamento dos policiais
militares acusados pelo massacre em Eldorado dos Carajás, no Pará. O MST/PA
solicita que sejam enviadas mensagens à presidente do julgamento, juíza Eva do
Amaral Coelho, (fax (91) 218-2334 ou (91) 218-2454) ou (91) 241-2970, ao
Presidente da República (pr@planalto.gov.br)
e ao Ministro da Justiça, José Gregori (acs@mj.gov.br)
pedindo que seja dada prioridade à Emenda Constitucional que transfere a competência
para apuração dos crimes contra os direitos humanos para a Justiça Federal.
As
mensagens podem ser encaminhadas também para o MST-PA no endereço mstpa@skorpionet.com.br
ou fax (91) 246-0452 / 1158.
Dívida interna
Nos próximos dias 25 e 26, realiza-se em São Paulo, o Simpósio da Dívida
Interna. Para participar é preciso preencher, previamente, uma ficha de inscrição
que pode ser solicitada pelos seguintes correios eletrônicos: pastoralsocial@cnbb.org.br
ou vpomar@hotmail.com .Ou ainda, pelo
fax (61) 313-8303, endereçado à Secretaria da Campanha Jubileu 2000.
Informações - tel. (61) 313-8323
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