| INFORMES ABONG Nº 137 - 24 a 30 de maio de 2001 -
MP PASSA POR CIMA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
A reedição da Medida Provisória 2.148/2001 referente ao plano de
racionamento de energia elétrica e divulgada no dia 23 pretende impedir que o Código
de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) seja utilizado para preservar os direitos
dos consumidores diante dos cortes no fornecimento de energia. Segundo o Idec, a
MP "é autoritária, inconstitucional e representa o maior e mais
truculento golpe" que o Código de Defesa do Consumidor já sofreu, desde a
sua aprovação.
Segundo relatório divulgado no site do instituto, a MP 2.148/2001 viola os
artigos 5 e 170 da Constituição Federal ao retirar das empresas a
responsabilidade por danos decorrentes da má prestação dos serviços. Isso dá
espaço para todo tipo de abuso, deixando o consumidor sem qualquer proteção
legal. De acordo com o Idec, a disposição não tem validade, pois a própria
Constituição Federal determina que o Estado promoverá a defesa do consumidor.
Ação conjunta
O Idec, em conjunto com o Ministério Público e a OAB, está discutindo o tipo
de ação judicial que será proposta. No relatório, o instituto lamenta o fato
de o governo não ter acreditado na capacidade de mobilização da sociedade
brasileira e ter estipulado medidas punitivas em vez de apostar numa campanha
nacional de economia de energia.
Segundo Marcos Pó, do Idec, uma das principais irregularidades do plano é o
corte do fornecimento de energia elétrica para os consumidores que, apesar de
pagarem a conta, não reduzirem para 80% o consumo de energia elétrica.
Outra ilegalidade é o fato de que parte da tarifa paga mensalmente pelos
consumidores deveria ser direcionada à garantia de manutenção do sistema elétrico
o que não vem sendo realizado pelo governo, que também não obriga as empresas
a investirem no setor. As medidas estipuladas são ainda mais graves ao se
considerar que a crise energética se deve à uma omissão do Poder Público.
A isenção de penalidades apenas para os consumidores de até 100 kWh/mês também
é ilegal, já que nem as concessionárias consideram essa faixa como o consumo
mensal de uma família de baixa renda. Segundo as concessionárias, o limite de
consumo abaixo do qual se classifica um consumidor como "baixa renda"
varia entre 140 (Cerj e Light) e 220 kWh/mês (Eletropaulo).
O Idec avalia como demagógica a atitude de o governo dizer que as medidas
beneficiarão o consumidor de baixa renda, pois prevê aparentes vantagens que,
na prática, são impossíveis de executar. Além disso, as medidas refletem um
aumento nas tarifas de energia que irá penalizar principalmente os consumidores
residenciais de baixa renda. Em simulação da situação de uma família de
baixa renda, com cinco pessoas e consumo reduzido ao mínimo possível, o Idec
constatou que o gasto mensal seria de 218 kWh.
Idec - www.idec.org.br
ONGs AMPLIAM MOBILIZAÇÃO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL
Mais de 240 ONGs já estão apoiando a Campanha SOS Florestas em favor de um
Código Florestal baseado na Medida Provisória 2080-62, cujo texto reflete a
resolução aprovada no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em 2000. No
último dia 8, a campanha lançou um site especial (www.codigoflorestal.com.br
ou www.sosflorestas.com.br) por
meio do qual o público poderá enviar mensagens a parlamentares e a autoridades
do governo federal, manifestando apoio à MP 2080-62 e oposição à proposta
divulgada pelo deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), relator da comissão mista
do Congresso Nacional responsável pela transformação da MP em lei. A votação
do parecer de Micheletto está marcada para o dia 30 de maio.
Pelo site, o usuário pode enviar uma mensagem padrão diretamente para os
deputados e senadores que integram a comissão mista, bem como para autoridades
do governo federal, manifestando sua defesa da MP e sua oposição à mais
recente proposta do deputado Micheletto. O site também publica notícias sobre
as atividades da Campanha SOS Florestas e monitora os trabalhos da comissão
mista do Congresso Nacional.
Lançada no último dia 18 de abril, a Campanha SOS Florestas é uma aliança da
sociedade civil em defesa do conteúdo da MP 2.080-62 e de sua transformação
no novo Código Florestal (Lei nº 4.771/65). O conteúdo dessa MP foi
amplamente discutido entre os meses de janeiro e março de 2000, em todas as
regiões do Brasil. No total, foram 25 consultas, reunindo todos os setores
interessados no assunto, como ONGs, representantes da indústria, sindicatos,
governos federal, estaduais e municipais, e o próprio setor rural, representado
pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O texto final foi aprovado na
plenária do Conama em 29 de março do ano passado, com apenas um voto contrário,
do CNA.
A tentativa de modificar a MP não é nova. No ano passado, Micheletto, que
acusa a proposta de ter sido produzida para obstruir o desenvolvimento do país
e atender a interesses internacionais, tentou aprovar outro texto, do qual
faziam parte muitas teses vencidas na negociação do Conama. Mas a mobilização
da sociedade deu resultado: o texto do Conama foi transformado na nova MP e sua
conversão em lei, determinada para 2001.
Alerta contra spam
Os coordenadores da Campanha SOS Florestas alertam a todas as ONGs e
interessados no tema que interrompam a circulação de um "spam" (uma
espécie de corrente eletrônica) sobre o Código Florestal que convida os
destinatários a assinar a lista e o centésimo signatário a enviá-la para o
endereço fsaviolo@openlink.com.br . Segundo a campanha esse endereço e-mail não
existe ou, se existiu, foi desativado. Além disso, as informações constantes
da mensagem estão incorretas. A recomendação é que os internautas acessem o
site da campanha para expressar o apoio à MP 2.080-62.
Campanha SOS Florestas - marco@wwf.org.br
SOCIEDADE CIVIL PROPÕE CPI POPULAR CONTRA A CORRUPÇÃO
Realizar uma grande marcha no dia 27 de junho que proporá a instalação de
uma CPI da sociedade civil - Comissão Popular de Investigação - foi umas das
principais decisões da reunião realizada no último dia 23, pelas entidades
participantes da Vigília Cívica Contra a Corrupção, entre elas a Abong.
Segundo Sandra Cabral, do Fórum Nacional de Luta por Trabalho, Terra e
Cidadania, as organizações participantes se reuniram em grupos que vão
discutir todos os detalhes da CPI: desde o manifesto de adesão, até a campanha
de divulgação e mobilização. Também serão debatidos os desdobramentos nos
Estados, critérios para compor a CPI e para onde encaminhar os resultados da
CPI.
A idéia é que a CPI inicie um processo de investigação, com o peso de sua
autoridade moral e o adequado apoio logístico das pessoas e entidades que a
isso se dispusessem, dos casos de corrupção que vêm escandalizando o Brasil.
De acordo com Francisco Whitaker, as potencialidades e perspectivas abertas por
essa proposta podem lhe dar uma especial importância, mas sua concretização
exige a efetiva adesão e compromisso de um grande número de entidades da
sociedade civil.
A proposta da marcha e da CPI será lançada oficialmente no próximo dia 29, em
Brasília, no auditório do Anexo 4 da Câmara dos Deputados, às 10 horas. As
organizações que quiserem aderir à Vigília ou participar do grupo de discussão
devem enviar e-mail para: vigiliacivica-subscribe@yahoogroups.com
FNL - (11) 9292-3850 - Sandra Cabral
NOTAS
CPI das ONGs
Impedir o desenvolvimento econômico do Brasil, mantendo o poder político e
econômico da oligarquia internacional no país. Esse seria o objetivo das ONGs
segundo o jornalista mexicano Lorenzo Carrasco, primeiro a depor na CPI do
Senado, no último dia 22. Veja a matéria completa no site da Abong: www.abong.org.br
Prevenção à AIDS pelo rádio
Até o dia 26, representantes de ONGs e comunicadoras radiofônicas estarão
participando do laboratório de capacitação "Pensando a Prevenção a
partir do Rádio". O objetivo do encontro, promovido pelo Centro de
Projetos da Mulher do Cemina, é discutir a melhor forma de sensibilizar o público
feminino sobre as questões referentes a aids. Com isso, o Cemina, que produz o
programa de rádio Fala Mulher há mais de dez anos no ar, pretende estreitar
ainda mais as relações entre mulheres de ONGs que desenvolvem o tema e a Rede
de Mulheres no Rádio (que reúne comunicadoras radiofônicas de todo o país).
O laboratório de capacitação visa aprimorar os conteúdos e formas de
abordagem de programas e campanhas de rádio. Além de atividades práticas, o
laboratório conta com a produção de campanhas para o rádio e ainda discussões
de como o tema Mulher e AIDS é tratado pela mídia. Para saber mais sobre a
Rede de Mulheres no Rádio, visite o site do Cemina.
Cemina - tel. (21) 262-1704 www.cemina.org.br
Dicionário de mulheres
O Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP) lança hoje, dia 24, às 18h,
o Dicionário Mulheres do Brasil,- de 1500 até a atualidade. A obra, organizada
por Érico Vital Brazil e Schuma Schumaher, é uma biografia ilustrada e tem
como finalidade destacar a atuação da mulher no processo de formação da
civilização brasileira. A publicação faz parte do Projeto Mulher - 500 anos
atrás dos panos, de iniciativa do FMAP.
Fase/PA - andreia@fase-pa.org.br
Jogos de integração
Entre os dias 28 e 1o. de junho, o Unipop realiza a oficina de Jogo de Integração
de Grupo. A oficina oferece vivência de expressão, comunicação e criação
voltadas para o trabalho em grupo. Entre os objetivos, está o desenvolvimento
potencial criativo do educadores.
Unipop - (91) 224-9074
Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher
Debater ações em prol da redução da mortalidade materna no Brasil é um dos
objetivos do Seminário "Saúde ou Morte Materna? O desperdício de vidas e
a discussão sobre leis", uma das atividades programadas em torno do dia 28
de maio, Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher. Organizado pela Rede
Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos (RedeSaúde), com o apoio
do Cfemea, o seminário acontece no dia 30 de maio, na sala Espaço Cultural da
Câmara dos Deputados, em Brasília, das 9h30 às 18h.
O Seminário irá discutir a grave situação da mortalidade materna no Brasil e
a importância dos instrumentos de controle social nesta área. Essa atividade
coincide com o momento em que a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre
Mortalidade Materna da Câmara dos Deputados está elaborando seu relatório
final. Dessa forma, a RedeSaúde busca, mais uma vez, contribuir para o debate
das principais questões apontadas por essa CPI, bem como para o enfrentamento
do problema da morte materna no país.
Além do seminário, oficinas de capacitação, debates, fóruns e mesas
redondas estarão acontecendo em todo o país etc com o objetivo de sensibilizar
grupos de mulheres de base sobre o exercício da cidadania em saúde.
No Folheto Mortalidade Materna, a RedeSaúde traz subsídios para o debate e
propostas de ação. O Brasil apresenta uma taxa de mortalidade materna de cerca
de 110 mortes por cem mil nascidos vivos, valor próximo ao das nações mais
pobres da América Latina. Para se ter uma idéia, em países como Chile e
Uruguai, que têm situações socioeconômicas semelhantes às do Brasil, essa
taxa é de 40 mortes maternas por cem mil nascidos vivos. Calcula-se que cerca
de 5 mil mortes maternas por ano podem ser evitadas no Brasil.
A Sempreviva Organização Feminista (SOF) elaborou um amplo documento de
discussão sobre os direitos das mulheres à saúde, que pode ser acessado no
site da entidade. Além de discutir a mortalidade materna, o documento trata
também do crescimento da aids entre as mulheres, o que denuncia também a ausência
do exercício de direito da sexualidade em igualdade de condições com os
homens.
Rede Saúde - www.redesaude.org.br
Tel.(11) 3813-9767
SOF - www.sof.org.br (11)
3819-3876
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