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Ricardo Abramovay comenta a desigualdade apontada pela Oxfam

26/01/2017

Professor de Economia da FEA-USP, Ricardo Abramovay avalia o cenário mundial frente a esta acumulação de riqueza como negativo e com tendência a piorar por causa da revolução digital e inteligência artificial. Leia a reportagem sobre o relatório da Oxfam divulgado em 16 de janeiro em: https://goo.gl/pE5TPs.


Confira a entrevista:

Envolverde: O relatório da Oxfam fala da extrema concentração de riqueza na mão de poucas pessoas. Qual o horizonte do mundo nesse cenário?

Ricardo Abramovay: O relatório aborda uma questão importante, não apenas a renda dos mais pobres e sim do topo da pirâmide, os mega ricos. Eles apontam que haverão trilionários. A Oxfam está falando de 8 pessoas que detém uma renda equivalente à metade da população mundial, a preocupação dela é com o topo da pirâmide.


O horizonte é muito negativo nada promissor, há concentração da economia. Vai piorar muito ainda porque o aprofundamento da revolução digital será feito às custas de emprego. A inteligência artificial já está substituindo mão de obra em escritórios de advocacia por exemplo ou em áreas da medicina. A propriedade dos algoritmos é a mais concentrada que o capitalismo já conheceu.

Estamos frente a um prazo muito curto, em 10 ou 15 anos a Inteligência Artificial será superior a humana. Vivemos a era da inovação tecnológica e os governos de direita onde o resultado será a concentração da riqueza. Defende-se um discurso de que é preciso isentar os ricos de impostos para que gerem empregos.

Os governos apresentam também respostas simplistas para problemas complexos limitando as liberdades substantivas da população como educação, direito à cidadania. Então são várias desigualdades e não só a desigualdade de renda.

Envolverde: É possível um desenvolvimento humano justo com isso?


R. A. 
Depende do que entendamos por desenvolvimento humano, uma coisa que vai acontecer no século XXI é que vamos acabar com as condições extremas de miséria. Teremos acesso a alguns serviços públicos básicos. Mas também existirá uma separação entre o tipo de vida dos ricos e pobres muito ameaçadora. Sociedades muito desiguais tem maior dificuldade para aproveitar o potencial de contribuição para a economia.

A revolução digital está aumentando a produtividade, mas o uso que as pessoas fazem dos dispositivos e redes sociais é precário e padronizado, ao invés de ajudar eles são entorpecidos.

Existe uma visão idealizada da nova geração de empregos no contexto digital, acredito que a única forma de enfrentar esta problemática seja com um programa de renda básica da cidadania.

Envolverde: Como reverter isso?


R. A. 
Existem basicamente duas cosias a serem feitas. Fortalecimento da sociedade civil, colocar a luta das desigualdades no topo de qualquer agenda econômica, em consequência ampliar a tributação das grandes fortunas no mundo e ampliar os direitos e liberdades substantivos das pessoas mais pobres de forma com que estas não deixem somente de passar fome ou comprem a prestação, mas que tenham acesso à educação, que não sejam perseguidas pela polícia e a política de descriminalização das drogas.

E um último aspecto introduzir ética nas atividades econômicas, Riqueza serve para o que? Os governos são obcecados para ver a economia crescer, porém sem um objetivo que se traduza na expansão de igualdade e liberdade dos menos favorecidos.

Envolverde: Esse quadro está se consolidando no Brasil também?

R. A. O Brasil passou por um processo de redução da desigualdade de renda no começo do milênio porem não reduziu outras formas de desigualdades. Vemos um apartheid social, onde ricos moram em bairros cercados e centrais e os pobres na periferia.  Os governos e políticas sociais sempre reforçaram esta imagem da periferia, que mora longe, e não tem acesso a serviços nem educação de qualidade no local, precisando viajar por horas até a cidade.

O segundo fator é que toda política está voltada para o crescimento econômico, mas não figura em nenhum documento um “para que” ou “para quem”, quando o Brasil volte a crescer será de forma arcaica. Não há nenhum esforço na pauta para reduzir esta desigualdade, nem ajuste fiscal nem tributação. Os ricos são tributados de forma absurdamente baixa.

Vemos pessoas trabalhando de office boy, atendente de caixa, call service sendo que a revolução digital vai eliminar estes empregos. É necessário recolocar estas pessoas no mercado e avaliar este tema na pauta dos governos.

O Governo Lula e Dilma foram os únicos que colocaram na agenda a luta contra a desigualdade de renda, porém não foi possível falar disso de forma correta em um contexto de economia reprimarizada.


Fonte: Envolverde

 

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